“Vença sua próxima discussão citando uma neurobaboseira sem sentido”, de Melissa Dahl

O original está aqui.

<< Da próxima vez que você sentir que está em risco de perder uma discussão, faça alguma referência obscura ao cérebro. Qualquer aceno para a neurociência vai servir, mesmo que não ilumine realmente o problema ou prove qualquer coisa que minimamente se assemelhe a um ponto. As pessoas tendem a achar bastante convincentres explicações que incluam referências ao cérebro, mesmo que essas referências sejam, na maioria, sem sentido, de acordo com o último episódio de “Psych Crunch”, um podcast cujo apresentador é o psicólogo (e contribuidor do Science of Us) Christian Jarrett.

Jarret entrevista Sara Hodges, uma psicóloga pesquisadora da Universidade de Oregon, e coautora de um estudo publicado em Maio desse ano, sobre o encanto exercido por “supérfluas informações neurocientíficas”. No estudo, Hodges e seus colegas expõem a estudantes uma variedade de explicações para vários fenômenos psicológicos. Algumas dessas explicações não eram explicações reais, mas apenas uma reafirmação dos fatos já citados. Os estudantes consideraram explicações para várias facetas do comportamento humano advindas do campo das ciências sociais, ciências biológicas e neurociência, e avaliaram o quão convincente era, para eles, cada explicação.

“As ciências sociais fariam referência a algum fator relativo a como as pessoas eram criadas, e as explicações das ciências da natureza referiam-se a ações do DNA, à estrutura do DNA”, como Hodges explicou a Jarrett. A explicação neurocientífica, por outro lado, apenas citava uma área do cérebro que se imaginava estar associada com o comportamento observado, deixando questões em aberto, sem explicar muito bem. Mesmo assim, disse Hodges, as “explicações neurocientíficas sempre tinham as melhores classificações – acima de sem explicação, acima de ciências sociais, acima de ciências naturais”.

Algo dos aparentemente impenetráveis mistérios do cérebro parece causar nas pessoas uma despreocupação com o pensamento crítico, o que, aliás, é uma possível causa pela qual os aplicativos de “treino cerebral” e similares são tão populares, a despeito da falta de evidências para comprovar sua eficácia. Algo para manter em mente – ou, melhor, em seu córtex cingulado anterior. >>

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“Vença sua próxima discussão citando uma neurobaboseira sem sentido”, de Melissa Dahl

“Casamento na infância: um efeito devastador da crise dos refugiados”, de Mabel Van Oranje

O original está aqui.

<< A crise global dos refugiados desencadeada pela guerra síria e outros conflitos constitui um grande desafio para os governos por todo o mundo. Nos bastidores, porém, está se agravando outro, menos visível, mas igualmente perturbador, fenômeno global: um aumento dramático no casamento de crianças.

Quando as famílias se encontram em dificuldade por conta de guerra ou desastre natural – sem casa ou renda, com preocupações sobre segurança e um futuro incerto – muitos optam por casar suas filhas, frequentemente com homens mais velhos. Os pais devem acreditar que este é o único jeito de proteger e cuidar dessas jovens. O impacto, no entanto, pode ser devastador. Noivas crianças muitas vezes são afetadas por violência doméstica e são submetidas a esmagadora pressão para ter filhos quando elas próprias ainda são crianças. À maioria delas também é negado acesso à educação, mesmo sendo essa uma conhecida rota de saída da pobreza.

Em prol de suas filhas

Com 13% de suas meninas casadas aos 18 anos, antes da guerra a Síria não era um dos países com maiores estatisticas de casamento na infância. Hoje, nos campos de refugiados sírios na Jordânia e no Líbano, os números parecem ter dobrado. Em Bangladesh, a permanente ameaça de inundação e erosão tem um efeito similar. Os números de casamento infantil aumentam nas áreas onde as casas estão em risco de serem lavados. A justificativa dos pais é que se sua casa for destruída será mais difícil encontrar um marido adequado para suas filhas, por isso é melhor casá-las o mais cedo possível. No Nepal os dados também indicam que as famílias, desamparadas após o terremoto que houve no início desse ano, estão casando suas meninas cada vez mais. Na maioria dos casos, os pais acham que estão agindo em prol de suas filhas. Na realidade, é justamente o contrário.

Cerca de 720 milhões de mulheres ao redor do mundo foram casados ainda crianças- seu futuro e aspirações abruptamente paralizados. Se não agirmos agora, esse número vai subir para 1.2 bilhões até 2050.

É claro, nem todos os casamentos de crianças são consequência de crises humanitárias ou desastres naturais. O casamento infantil acontece em diferentes países, continentes, culturas e religiões. Muitas meninas são casadas simplesmente por causa da tradição, que remonta gerações. Em muitos casos, a segurança da menina, a honra da família e dificuldades econômicas também influenciam.

Em última análise, o casamento na infância é propiciado por uma falta de igualdade entre homens e mulheres. Acontece porque as meninas são consideradas cidadãos de segunda classe, ou um bem que pode ser comprado ou vendido. Muito frequentemente, as meninas são vistas como um fardo de pouco status e sem perspectivas; elas não têm direito a voz em grandes decisões que afetam suas vidas, como quando ou com quem se casar.

Acabar com o casamento de crianças não só ajudaria a dar fim à hierarquia de gênero, mas também contribuiria para combater a pobreza global e melhorar o bem-estar das comunidades, uma vez que acabar com essa prática está ligado à redução da mortalidade materna e infantil, e ao aumento do acesso à educação.

Um passo na direção certa

Por muito tempo, o casamento de crianças era um tabu, e as 15 milhões de meninas que são casadas a cada ano eram invisíveis. No mês passado, em Nova York, os líderes mundiais se comprometeram, pela primeira vez, com o objetivo de acabar com o casamento na infância até 2030, como parte dos Objetivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável. Este é um reconhecimento importante do problema e um passo na direção certa. Precisamos agora de transformar as nobres promessas em ação.

Os países onde o casamento infantil é recorrente devem desenvolver, implementar e financiar políticas que realmente acabem com o casamento na infância dentro de uma geração. Diálogo e sensibilização devem ocorrer em comunidades onde o casamento na infância é a norma social. As meninas precisam ser empoderadas e saber que têm direitos e opções reais. Os pais e os líderes locais devem entender as conseqüências negativas dessa prática nociva para as meninas e sua comunidade como um todo. Alternativas viáveis e aceitáveis devem ser criadas. Por exemplo, a educação deve estar disponível e acessível com segurança para todas as meninas, incluindo aquelas que escaparam da guerra e da violência. Meninas que vão à escola se casam mais tarde – é um fato bem documentado. Além disso, o apoio econômico e incentivos devem ser postas em prática para ajudar as meninas e famílias que virarem as costas para o casamento na infância.

Acabar com o casamento infantil é uma meta ambiciosa – e as mudanças não virão rapidamente. Mas é possível, em uma geração. Sabemos quais intervenções funcionam. Estas soluções devem agora estar disponíveis para todas as meninas em risco. Sabemos também que as meninas que se casam após 18 vão fazer com que suas filhas não se casem muito cedo. E, mais importante, sabemos que um mundo sem o casamento infantil é um mundo no qual todos nós – meninos e meninas, homens e mulheres – seremos mais saudáveis, mais instruídos, mais prósperos e mais igualitários. >>

“Casamento na infância: um efeito devastador da crise dos refugiados”, de Mabel Van Oranje

“Nos bastidores da prostituição legalizada na Austrália”, entrevista com Simone Watson, por Sporenda.

Simone Watson é uma sobrevivente da prostituição e diretora da NORMAC (Coalização pelo Modelo Nórdico na Austrália).

O original está aqui.

<< S: Você trabalhou em casas de massagem legais e ilegais. Você pode descrever esses lugares e se existem quaisquer diferenças nas condições de segurança e materiais para as mulheres prostituídas entre esses tipos de prostituição?

SW: Eu trabalhei na prostituição descriminalizada, legalizada e ilegal na Austrália. A prostituição era legal em bordéis, mas ilegal em casas de massagem. Então, quando eu trabalhava em casas de massagem, era tecnicamente ilegal, mas era lá que eu pegava os clientes importantes, os políticos, os atletas mais populares. Os homens de negócios. A casa de massagem ficava em uma cobertura, no último andar no centro da cidade de Melbourne. Tínhamos câmeras de segurança, não tínhamos que desfilar de lingerie, tínhamos apartamentos separados e éramos chamadas pelo interfone quando o cafetão ou a senhora decidiam que combinávamos com um determinado cliente. Não havia nada da degradação usual, e esse deveria ser um ambiente muito “seguro”.

Fui designada para cuidar de um cliente; nós deveríamos dar-lhes massagens, foi-nos dito que era como ser uma enfermeira em um hospital: que seria como dar um banho no paciente, que teríamos que tocar seus corpos, que às vezes ficam excitados, e as coisas aconteceriam. Era assim que eles acobertavam tudo e fingiam que estava tudo bem. Mas o que eu descobri com essa experiência é que, desde o primeiro dia, eu teria que começar a tomar medicamentos para poder trabalhar lá. Não importava que fosse um bordel de classe alta, não importava que nós não desfilássemos em roupa de baixo, que não fossemos exibidas em lingeries e degradadas. Mesmo nessas condições, a fim de “cuidar” de seis desses homens, que eram tão horríveis, eu precisaria tomar remédios de tarja vermelha imediatamente.

Em outro lugar,  onde eu trabalhei em seguida, a manutenção do bordel foi legalizada, mas era uma história parecida, exceto que tínhamos que usar vestidos caros para desfilar para os clientes e que eles não ligavam se nós tivéssemos que nos drogar para fazer o trabalho; desde que não tivéssemos a aparência ruim, eles não se importavam. Mas as mulheres que se tornavam viciadas eram chutadas de lá. Ninguém se preocupa com essas mulheres. Nós tínhamos que parecer felizes, tínhamos que estar sorrindo, mas não havia uma mulher no local que não tomasse qualquer tipo de medicação para aguentar isso.

S: As mulheres prostituídas com quem conversei que “trabalharam” em casas de massagens disseram que esses lugares têm todos os elementos sombrios e perigosos da prostituição, mais um: aumentam o controle dos cafetões sobre as prostitutas. Quais são as muitas maneiras por meio das quais os cafetões vigiam e controlam as prostitutas em uma casa de massagem- além das drogas?

SW: Dizem que você tem que calar a boca. No primeiro bordel nos deram o apelido de “cérebros de ovelha”. Também dizem que você vai ser expulsa do bordel se você for pega fazendo sexo com qualquer cliente que a polícia possa descobrir – mesmo que fosse legal. Isso foi desconcertante para mim, nós não entendíamos. Os homens estavam lá para transar, os preservativos estavam lá para isso, mas se eles achassem que você estava dizendo a alguém que você estava lá fazendo sexo, você seria atacada.

Em meu primeiro trabalho em um bordel, eu comecei a pensar: “eu não posso mais fazer isso, eu não aguento, eu estou começando a odiar todos os homens que aparecem na minha frente, mesmo em minha vida fora do bordel”. Eu queria sair e pensei que poderia ir embora, então eu fui. Isso aconteceu onde a prostituição é legal.

Duas semanas mais tarde, eu estava andando na rua de um subúrbio diferente, longe do bordel, quando dois homens, que tinham o dobro do meu tamanho – quase dois metros, homens enormes, começaram a correr em direção a onde eu estava andando. Pensei que eles estavam correndo atrás de outra pessoa, mas eles vieram até mim, eles enfiaram os punhos na minha cara e disseram: “você tem que voltar ao trabalho” – e me deixaram lá. Então, eles me intimidaram fisicamente para voltar para esse bordel de primeira classe aonde os políticos vão, onde nós deveríamos ser livres e seguras – mas isso é tudo mentira. Eles me disseram que eu tinha que voltar para o trabalho, ou eles viriam me bater.

S: Tanta coisa, para no final as mulheres serem livres para ir embora dos bordéis…

SW: Eu tive a sorte de ter dinheiro suficiente para fugir para uma outra periferia, onde eles não pudessem me encontrar. Essa é a prostituição: o ponto é, isso não aconteceu porque eu era tão maravilhosa que me queriam muito nesse trabalho – porque lá todas éramos descartáveis. Aconteceu porque os cafetões são psicopatas e não gostam quando você pensa por si mesma. Essa cafetina se incomodou o suficiente para arranjar esses dois homens enormes para me encontrar, me derrubar no meio de uma cidade enorme e me ameaçar. Mesmo entrando uma menina nova lá todo dia, desesperada para “trabalhar” por causa da pobreza, essa cafetina não gostou de não ter o controle; não é que ela pensasse que eu era algo demais, ela só não gostou do fato de que eu tomei a decisão de ir embora. Foi realmente assustador! Éramos tratadas como ovelhas descartáveis, nos diziam que podíamos ir embora e que ficaria tudo bem, mas quando eu saí, eles me caçaram e tentaram me machucar.

S: Então, a principal forma de controlar prostitutas nesses locais é através de ameaças e violência?

SW: Sim, com certeza. Isso e o terror psicológico.

S: Haviam “botões de pânico”, onde você trabalhou? Em alguns bordéis, há um botão de pânico, para que a mulher prostituída possa pedir ajuda se um cara agir de forma violenta.

SW: Não tinha nenhum botão, nós só podíamos abrir a porta e sair do quarto.

S: Eles explicavam o que fazer se um homem fosse violento, havia procedimentos padrão a serem seguidos para garantir a segurança, caso uma situação como essas acontecesse?

SW: Não, não me deram nenhuma instrução de como lidar com homens violentos, havia apenas o entendimento de que você podia sair do quarto e pedir ajuda.

S: Mas sair nem sempre é possível se o cara domina você…

SW: Isso não acontece, ninguém sai, você não pede ajuda, porque você está lá para fazer o seu trabalho, e só vai perturbar alguém se pedir ajuda. Na minha experiência, as mulheres que fizeram isso perderam o emprego.

S: Era tipo assim: “se um cara agir de forma violenta, a culpa é sua, porque você não o satisfez, você não deu a ele o que ele queria”?

SW: Exatamente, é sempre culpa sua. Mesmo se você pensar nisso como um negócio, se você é um chefe inteligente, você vai querer cuidar dos seus empregados, até certo ponto, certo? Mesmo se você não se preocupa com eles, só para ter certeza de que eles pareçam felizes para os clientes. Mas nós nem sequer tínhamos isso: se você entrasse numa situação em que você teve que fugir do quarto e pedir ajuda, eles simplesmente se livravam de você – e isso num contexto de prostituição totalmente descriminalizada.

S: É verdade que, ao contrário do que você pode fazer na rua, é quase impossível recusar práticas sexuais dolorosas/nocivas quando você está em uma casa de massagem, porque os caras estão dispostos a pagar mais por isso, e os cafetões querem o dinheiro extra e não querem dizer não? E a regra “nada de sexo sem preservativo” realmente foi aplicada?

SW: Você não pode recusar. Bem, raramente… Eles dizem que você está autorizada a dizer não, mas você não tem essa opção. Alguns homens vão usar preservativo para te penetrar, porque eles não querem pegar DSTs, mas é claro que eles não ligam quando vão ejacular na sua cara, ou se vão te passar uma DST. Incentivam o uso de preservativos, encorajam que você diga aos caras as coisas que você não gosta, as coisas que você não quer fazer, mas quando você está nessa situação, você só faz o que os clientes querem, ou você é expulsa do bordel, eles te jogam no olho da rua.

Eu mesma tive algumas experiências e conheço mulheres que reclamaram e que foram  expulsas, e eu não sei onde muitas dessas mulheres estão agora. Sei que pelo menos duas delas morreram. E isso foi na prostituição legalizada.

Mais uma vez sobre o uso de drogas: não tínhamos permissão de usar qualquer medicação para tornar as coisas mais fáceis ou mais seguras para nós. Mas todas nós utilizávamos medicação de algum tipo. Você só tinha que parecer não estar fora de si e, claro, sorrir o tempo todo. Eles nos deram lubrificante creme e incentivaram o uso de camisinha, mas um monte de homens que frequentam esses lugares preferem ter relações sexuais sem preservativo. Então você faz o que eles querem que você faça, mas se você abrir a porta e disser: “Eu não quero fazer isso desse jeito”, os cafetões te expulsam. Digo, você tem tantas restrições… Então eu nunca abri a porta; a única vez que eu fiz isso foi para ir embora, e eu disse que não ia mais voltar. Foi na vez em que eu fui ameaçada na rua.

S: Os clientes estão dispostos a pagar mais por sexo sem camisinha? Eles podem conseguir práticas sexuais extremas se pagarem por elas?

SW: Sim, mas quando você está sendo comprada, mesmo o sexo normal, penetração vaginal, é extremamente ofensivo. Mas sim, estamos sujeitas a práticas muito dolorosas, mesmo em bordéis de primeira classe, e mesmo na prostituição descriminalizada. Não era decadente ou sujo olhando superficialmente; eles diziam que era um ambiente seguro, que cuidavam de nós e que nós éramos sortudas. Eles até nos apresentavam como naturopatas: sabe, plantas verdes, paredes brancas, não muita maquiagem, não podíamos ter unha pintada, exceto com francesinhas. Esse é o tipo de ambiente em que trabalhávamos, e os homens iam “receber uma massagem” de uma “naturopata”, e iam beber chá verde, sem álcool no recinto – e aí, às escondidas, éramos levadas a esses abusos. E os cafetões lucravam com isso.

S: Spa, desintoxicação, higiene etc, mas por trás da fachada, vocês eram tratadas como pedaços de carne? Claramente, nos bordéis dos quais você fala, a indústria do sexo trabalha muito duro para fazer a prostituição legalizada parecer um tipo de prostituição sanitarizada, respeitável, limpa e não criminal – ao contrário dos antigos bordéis e cafetões, mais ou menos associado ao submundo. A prostituição legalizada é realmente assim, tão limpa e dissociada do crime organizado?

SW: Quando eu era uma adolescente em King’s Cross, em Sydney, trabalhei em um bordel especializado em mulheres asiáticas. Eu não estava lá para me vender, mas eu era a recepcionista, que abria a porta para os clientes. Eu não sei se o negócio era legal, mas era levado por um homem chinês e as mulheres de lá – eram mulheres lindas, vieram da Ásia e da Tailândia, principalmente países do Sudeste Asiático. Algumas dessas mulheres moravam na Austrália há sete anos – e a maioria delas nunca tinha saído do bordel! Sete anos na Austrália, e elas não tinham visto nada do país além desse bordel em King’s Cross, e isso é tudo o que eles achavam que a Austrália era.

Todas as suas roupas eram trazidas por um homem, que chegava com um cabide de roupas, e as mulheres escolhiam dele. E outra pessoa chegava e vendia brinquedos de pelúcia, bonecas e coisas assim, brinquedos fofinhos da Disney que elas colocavam em suas camas. E as mulheres riam e riam disso. E havia um aquário com alguns peixes que elas gostavam de alimentar. Apenas duas delas tinham saído do bordel e ido a Cabramatta, um subúrbio na periferia de Sydney, e elas estavam enviando dinheiro para as suas famílias.

Nessa idade, eu não estava muito consciente do que acontecia em torno de mim. Eu me perguntava por que mulheres que estavam basicamente morando de 6 a 7 dias por semana num bordel, ganhando centenas de dólares por semana, não estavam tendo feriados. Por que algumas delas estavam lá há sete anos, e nunca tinham ido visitar suas famílias? Presumia que tinham o dinheiro suficiente para se aposentar confortavelmente e ajudar seus pais – então por que elas ainda estavam lá? Eu não tinha ouvido falar das dívidas de servidão, as quais a Scarlet Alliance [1] insiste que são incrivelmente raras, e também compara à taxa HECs [2], sabe, aquela com a qual o governo banca a educação e você paga depois? Sim, eles igualam servidão por dívida a uma taxa de financiamento estudantil!

Mesmo quando eu já estava mais velha e na prostituição, ninguém ao meu redor se chamava de cafetão ou traficante. Por que fariam isso?

S: Então, é provável que essas mulheres tivessem sido traficadas?

SW: Sim, e esse cara chinês que gerenciava o bordel em Nova Gales do Sul tinha um cachorro enorme – e tentou me ameaçar com ele uma vez. Ele disse “o cachorro vai te matar se você me incomodar”, ele estava meio que rindo, mas colocou o cachorro perto de mim para provar que realmente me mataria. Mas o cachorro não queria me matar, ele até gostava de mim – e o cara ficou realmente irritado comigo depois disso. E eu saí, fui demitida.

S: The Scarlet Alliance (a “união dos trabalhadores do sexo” australiana) insiste que é contra a prostituição infantil. No entanto, quando há batidas policiais em bordéis (nos Ero Center na Alemanha, por exemplo), é muito raro que não sejam descobertas prostitutas menores de idade. Você notou prostitutas menores de idade nos bordéis onde você trabalhou?

SW: Não, eu não as via para saber sobre elas. Eu trabalhei em bordéis legais e descriminalizados, e as mulheres que trabalham nesses lugares não têm pleno acesso aos bordéis. Em Victoria, havia um bordel legal para 2 a 4 bordéis ilegais; eu não podia entrar nesses bordéis. Eu tinha que ir para casa logo após o fim dos meus turnos.

Tenho certeza de que as mulheres asiáticas que estavam em Nova Gales do Sul foram vítimas do tráfico e que algumas eram, provavelmente, menores de idade, mas, obviamente, eles não nos deixavam saber disso. Eles não deixam as trabalhadoras legais saberem se os outros são ilegais e não é possível saber com certeza a idade de alguém com quem você trabalha. Dado que essas mulheres provavelmente tinham família em casa, que seria posta em perigo se elas denunciassem os cafetões, elas estavam presas lá.

S: Você pode nos falar sobre a Scarlet Alliance? Você diz que eles não oferecem nenhuma ajuda para as mulheres que querem sair da prostituição e que são todos ligados a cafetões. No entanto, eles se apresentam como uma “união dos trabalhadores do sexo”. O que eles são exatamente?

SW: Eu me lembro de ter conhecido pessoas da Scarlet Alliance só quado eu me posicionei contra ela. Quando eu estava na prostituição, eles não me ajudaram em nada.

S: Será que eles realmente não fazem nada em prol das prostitutas? Eles nem sequer distribuem café e camisinhas?

SW: Eles são supostamente um grupo de apoio para prostitutas, então sim, eles fornecem preservativos e coisas assim. E eles obtêm financiamento do governo australiano para isso. O que eles também dizem é que eles são como um sindicato. Embora haja muitos sindicatos corruptos, eu nunca ouvi falar de um que trabalhe para reduzir a segurança dos trabalhadores, mas a Scarlet Alliance opõe-se a testes de DST obrigatórios para as prostitutas e os clientes. Uma das poucas coisas em que eu concordo com eles é que exames de saúde não devem ser obrigatórios para as mulheres prostituídas. Mas onde eles discordam de mim é que eu acho que todos os clientes devem ser registrados, e obrigatoriamente passar por testes de DSTS. Eu acho que eles devem usar rótulos e ser listados nas contracapas dos jornais, com seus nomes completos! A Aliança se opõe a essas restrições, se opõe aos testes obrigatórios. E se você quiser deixar a prostituição, eles se viram contra você e você se torna o inimigo. Se você vai até a Scarlet Alliance dizendo “eu não quero mais ser prostituta, me ajudem a sair”, eles vão vilificar você, e vão fazer da sua vida um inferno – como fizeram comigo. Ou pelo menos estão tentando.

Você pode pensar que é uma generalização dizer que eles são todos cafetões, mas a realidade é que a maioria deles estão em cargos de poder. Eles dizem coisas do tipo “eu sou um profissional do sexo atualmente”, e as pessoas não querem chamar sua atenção porque soa rude perguntar se é verdade. Esses membros do suposto “sindicatos de trabalhadores do sexo” geralmente se auto-proclamam “trabalhadores do sexo em atividade” e “organizadores” de “trabalhadores do sexo em migração”. Existe algo mais ultrajante que isso? Eles estão agenciando, e são cafetões de mulheres traficadas, isso sim. Eles não as ajudam a sair do comércio do sexo, porque negam que o tráfico humano com fins de exploração sexual existe.

Eles ganharam voz na mesa redonda do Plano Nacional Anti-tráfico da Austrália – onde eles dizem que tráfico sexual não existe! E eles chamam qualquer pessoa traficada para exploração sexual de “trabalhadora do sexo” ou “migrante”. Estamos passando por uma enorme crise de refugiados, pessoas precisam de visto e de habitação, e temos um governo hostil que não está disposto a admitir vulneráveis no país. Mas a Scarlet Alliance usa essa oportunidade para conseguir infiltrar mais pessoas. É claro que a maioria de nós quer ajudar os refugiados, mas quando a Scarlet Alliance diz que quer ajudar os refugiados, só querem ter mais mulheres na Austrália – e aí eles ficam tipo: “massa, podemos aparentar como se fôssemos de esquerda e humanitários”. Eles se opõem à imputação de penas a qualquer pessoa que conscientemente compre ou venda um ser humano traficado. Eu estou falando sério, pensem aí!

Tinha uma mulher prostituída que foi libertada após ter sido trancada em um armário durante meses, ela mal podia respirar; isso aconteceu em Victoria, onde a prostituição é legal. E quando um monte de mulheres vem aqui, elas acham que vêm com visto estudantil, mas quando chegam, elas são levadas para bordéis descriminalizados em Nova Gales do Sul. Elas acham que vêm aqui para aprender Inglês, mas essas mulheres desesperadas são enganadas e trazidas aqui para se juntar às estatísticas de “tralhadoras do sexo migrantes”. Esse pessoal da Scarlet Alliance é tão terrível e vil, não há palavras para expressar quão horríveis eles são.

O governo lhes dá dinheiro, que deveria ser usado em camisinhas e em check ups de saúde sexual para nós, e coisas assim, mas na verdade eles não ligam pra ninguém que queira deixar a prostituição. Tudo o que fazem é usar o dinheiro para espalhar a ideia de que as pessoas traficadas são “trabalhadoras do sexo migrantes”. Se você estivesse em um país ilegalmente, e soubesse que sua família pudesse ser assassinada, o que você faria? Ficaria e manteria a boca fechada. A Scarlet Alliance tira esse dinheiro do governo e de doações, mas se você quiser deixar a prostituição, eles vão se virar contra pessoas como eu.
Mês passado, fui convidada para palestrar em uma universidade. Eu vivo a pelo menos 500 quilômetros de distância da cidade e tenho agorafobia, então eu odeio sair de casa. Mas eu concordei em ir, porque estou feliz em fazer esse trabalho, e sempre vou fazê-lo. Mas subir no palanque e ter que debater contra o pessoal da Scarlet Alliance, que se auto-proclama “trabalhadores do sexo”, quando eles nem sequer vendem a si mesmo, mas sim outras pessoas, isso realmente me irrita.

Eu apareci na Al Jazeera [3] outro dia, e eu nunca vou fazer isso de novo…

S: Sim, ouvi falar disso, as pessoas que assistiram a este debate disseram que parecia manipulado…

SW: Sim, foi manipulado, é por isso que eu nunca mais vou lá. A organização desse show me disse que haveria uma outra pessoa comigo. Então eles me perguntaram: “Quem você gostaria de ter como apoiador?”. Então eu dei o nome de uma pessoa, e eles disseram “tudo bem”. E na hora da gravação eu estava sozinha. Além disso, eles colocaram uma cafetina condenada contra mim no debate, e a permitiram chamar-se de prostituta. Ela é uma cafetina, e não uma prostituta. Eles respeitaram o que ela disse porque ela foi apresentada como prostituta – mas é mentira! Eles aceitaram que ela se proclamasse prostituta, mas ela tinha uma condenação por lenocínio [4]. Ela foi presa por lavagem de dinheiro e teve uma ordem de restrição contra ela por assediar mulheres que estavam deixando a prostituição… Eram dois contra mim, um assessor de política da Anistia Internacional e uma cafetina condenada que concordava com a Anistia Internacional. Acho que isso diz muito sobre sua política, não?

S: Frequentemente estes debates sobre a prostituição são manipulados para agir em favor da indústria do sexo.

SW: Sim, a mídia manipula essas coisas o tempo todo. Você pode lhes contar que você é sobrevivente de um trauma, e que você tem Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e eles ainda vão tratá-la assim.

Penso nas minhas irmãs compatriotas que estão pior que eu. Quando eu estava na prostituição, fui tratada feito merda, mas ninguém é tratado pior do que as mulheres de cor. Clientes são frequentemente fetichistas. Fui criada em uma família de classe média, eu tinha uma família para onde voltar, não fui roubada da minha família. Mesmo que eu esteja vivendo na pobreza agora, que minha internet vá ser cortada, que eu não possa pagar meu cartão de crédito, e esse tipo de coisa. E eu estava no melhor lado, descriminalizado e glamourizado, da indústria do sexo. E mesmo que pessoas que eu conhecia tenham morrido, e que e coisas terríveis tenham me acontecido, em última análise, eu tenho sorte, mesmo com Transtorno de Estresse Pós-Traumático e dificilmente voltando a ter uma vida normal.

Você pode se imaginar como uma mulher em um país mais pobre, ou entre os mais pobres das áreas pobres, mesmo em um país rico como a Austrália, você pode imaginar o que a política da Anistia Internacional causa a essas mulheres quando descriminaliza o lenocínio e a compra de sexo? Quando eles dizem que o sexo é um direito humano e que cafetões têm o direito de vender as mulheres pobres? A seção 13 da política Anistia Internacional diz que “os países e estados ainda têm o direito de restringir a venda de serviços sexuais”; isso significa que a Anistia apoiará os países que criminalizam as mulheres prostituídas, enquanto inequivocamente apoia a cafetinagem e a compra das mulheres. Como eles podem fazer isso e dizer que a questão é os nossos direitos? Como eles podem fazer isso – descriminalizar o lenocínio e a compra de sexo, e dizer que os Estados ainda têm o direito de legislar no sentido de criminalizar as prostitutas? Mulheres de todo o mundo estão fodidas com essa política, é um vale-tudo. Eu tenho sorte de ter saído antes disso.

S: Você acabou de mencionar que você teve de debater com uma mulher se diz trabalhadora do sexo, mas na realidade é uma cafetina. Eu queria perguntar sobre o lugar das mulheres na indústria do sexo. Você se deparou com cafetinas quando você estava na prostituição? Há alguma diferença entre cafetões e cafetinas quando se trata de lidar com as mulheres prostituídas?

SW: Eu trabalhei com um cafetão e com uma cafetina, e não houve diferença. Só que a mulher era mais desagradável, e eu realmente não quero ter que dizer isso. Quando eu trabalhava em um bordel legal, o cara era mais tolerante ao uso de drogas, ele era mais gentil e flexível. A mulher trabalhando como cafetina era horrível para nós, porque ela era uma mulher em um mundo de homens, e ela tinha que provar coisas, então ela era mais desagradável. Eu odeio responder a uma pergunta como essa!

S: Você só está dizendo a verdade… Quando trabalha em um ambiente masculino, a mulher tem que ser mais linha dura que os homens.

SW: Isso é senso comum, e mesmo assim, é apenas a minha experiência pessoal.

S: Quem pode se tornar um cafetão na Austrália? Quais são as condições para abrir um bordel (aquisição de licença, regulamentos prefeitura, inspeções, etc)? Existe alguma habilitação ou verificação de antecedentes?

SW: Varia de acordo com o lugar: em Victoria, a prostituição é legalizada, em Nova Gales do Sul, é descriminalizada. Em Nova Gales do Sul, quase qualquer um pode obter uma licença, não há verificação de antecedentes e, se há, são mínimas. Também é possível obter uma licença e passá-la para outra pessoa a qualquer momento, sem nenhuma verificação. Victoria é mais fortemente regulamentada, o que dá um pouco mais de trabalho para os cafetões. Obviamente, quando eu estava na indústria, eu não estava realmente procurando saber como abrir um bordel. Posso te enviar a documentação sobre as questões legais? [6]

S: Claro!

SW: Eu sei que em Nova Gales do Sul a regulação é frouxa. Estão fazendo investigações sobre bordéis em Nova Gales do Sul agora, e é ponto de muita politicagem. No momento, eles estão fazendo um inquérito, e todos os cafetões e a indústria do sexo estão tentando fazer com que o modelo de descriminalização seja escolhido, porque é fácil esconder o tráfico e os bordéis podem se mudar bem rápido se os cafetões souberem que vão ser fiscalizados.

A razão pela qual existe um inquérito em curso é que a polícia estava ficando preocupada sobre quão ruim a prostituição se tornou em Nova Gales do Sul. Os cafetões acham que há muita regulamentação no sistema legalizado, o que eles querem é a descriminalização total, dizem que é para a segurança da prostituta, mas é claro que é para a segurança dos cafetões e dos consumidores.

S: Você mencionou que uma parte dos clientes eram políticos, atletas, etc. Qual a relação entre a polícia, os políticos e os bordéis?

SW: Eu os reconheço agora quando assisto TV. Quando eu estava na prostituição, era tipo: “Ai meu deus, temos realezas!”. Eu massageava esse tipo de pessoa, e eles eram difíceis, exigentes, era um trabalho fisicamente duro: eu pesava 49 quilos e tinha que massagear e servir uma pessoa de 120 quilos de músculos. Então vinham os políticos, e eles queriam que eu agisse como uma garotinha, eles queriam a “experiência infantil”. Bem, eu era uma garotinha quando eu estava na prostituição. E aí aparecem esses outros caras que querem que você bata neles, porque eles não querem estar no poder, você tem que dar-lhes a sensação de que você está no poder. E aí tem as pessoas do bordel que te dizem: “você se envolveu com um cliente, vamos botar você no olho da rua!”. E isso era bastante assustador, porque muitos clientes queriam se envolver conosco: eles se ofereciam para nos estabelecer em um apartamento: “Eu vou te dar um apartamento, vou pagar por ele, você mora lá e só tem que me ver uma vez por semana”. Eles eram realmente revoltantes e a maioria de nós sabia que iríamos perder nossos empregos se aceitássemos as suas ofertas – não se pode confiar nesses homens. Também sabíamos que, se aceitássemos suas ofertas, nós teríamos que estar lá e ter relações sexuais com eles a hora que quisessem. Quanto à polícia, o que tem a polícia? Se a prostituição é legal, ou totalmente descriminalizada, o que eles podem fazer? Eu certamente não sou fã de leis, ou da polícia que as exerce, onde as mulheres são tratadas como criminosos por venderem sexo. É por isso que eu sou a favor do modelo nórdico.

S: Você pode nos contar sobre sua militância a favor do modelo nórdico na Austrália?

SW: Eu trabalho com a NORMAC, da qual recentemente me tornei diretora, mas que foi fundada por duas pessoas incríveis, e está crescendo em número de adeptos. Nós somos uma organização secular com foco na educação sobre o modelo nórdico e trabalhamos com vários outros grupos e indivíduos para esse fim. Até recentemente (cerca de 2 anos atrás) eu nunca tinha ouvido falar da organização e a única razão pela qual eu passei a conhecê-la é que, no ano passado, eu surgi como uma sobrevivente e passei agir junto a outros sobreviventes e aliados que lutam contra a política elaborada pela Anistia Internacional.

Eu disse a mim mesma: “eu vou sair da minha casa, eu vou até a filial da Anistia na Austrália, e eu vou protestar, porque eu acho que essa política foi elaborada por cafetões” – e eu não era a única que pensava isso. Mulheres foram protestar no mundo todo! Nós ainda estamos nessa fase. E as irmãs sobreviventes, do outro lado da Austrália, disseram “sim, todas nós estamos fazendo o mesmo! Todas nós estamos trabalhando nisso”. Então eu acabei me reunindo com a NORMAC de Melbourne, na Reunião Nacional Geral Anual da Anistia Internacional.

Como com o próprio modelo nórdico, eu estava realmente emocionada ao descobrir que havia uma alternativa para a “minimização de danos”. Porque a “minimização de danos” ou descriminalização completa só acaba na expansão da indústria do sexo, problemas econômicos para as prostitutas e aumento do tráfico.

Se eu pensasse que a descriminalização funciona, eu faria tudo para que fosse legislada. Se eu pensasse que tornar a prostituição um trabalho ilegal funciona, eu faria tudo para que isso acontecesse. Mas nenhum desses modelos funciona. Precisamos que as prostitutas sejam totalmente descriminalizadas, e que cafetões e consumidores sejam punidos. Precisamos de uma grande quantidade de fundos para que as prostitutas tenham a possibilidade de sair da indústria. E não apenas casas mal feitas (que são escassas, de qualquer modo), mas lugares decentes para morar, saúde, assistência infantil e financeira. isso pode irritar a minoria vocal (elas são minoria) que afirma que “escolheu a prostituição”, mas eu me importo é com a maioria para quem não há escolha.

E seja amaldiçoada se algum dia eu pensar que homens têm o direito de pagar outras pessoas para fins sexuais. Não, nem mesmo homens com deficiência. Sexo não é um direito humano, mas não ser alvo de abuso sexual é. >>

[1] Scarlet Alliance é a organização nacional australiana de direitos dos “trabalhadores do sexo”.

[2] Pelo que eu entendi, é tipo o FIES (?).

[3] Al Jazeera, ou Al Jazira. No google: “é a maior emissora de televisão jornalística do Catar. Transmite em língua árabe e inglês”.

[4] ou cafetinagem.

[6] Como abrir um bordel em Nova Gales do Sul.

“Nos bastidores da prostituição legalizada na Austrália”, entrevista com Simone Watson, por Sporenda.